terça-feira, 9 de junho de 2009

CB-Cumulus Nimbus - "Nunca se arrisque numa dessas..."

(CATALINA PBY-Foto obtida no Google)

(PBY- 5A -CATALINA-Foto obtida no Google)

*CB (cumulus nimbus) SOBRE VITÓRIA/ES

Nos anos 50 havia uma grande falta de pilotos no Brasil; as empresas aéreas menores contratavam pilotos recém-diplomados, ainda não legalizados, para voar e completar o treinamento nos seus aviões.
O meu colega de turma, Célio Vidal de Freitas, que na época já estava voando nos Catalinas da empresa Aero Geral, me convidou para fazer alguns vôos para empresa. Aceitei o convite de imediato,e foi quando vivi o caso de um CB sobre Vitória.
Naquele dia,eu estava como co-piloto do Catalina,comandado pelo Comandante Leite.Decolamos de Belmonte/Ba., com destino a Vitória do Espírito Santo, lá pelas 13 horas. O tempo se mostrava instável, um calor sufocante, o mar espelhado anunciava mudanças atmosféricas.
No alto-mar, o horizonte estava encastelado de cúmulos volumosos sendo empurrados para o continente, por uma discreta brisa, que mais parecia uma boca de fornalha.
Com certeza iria ocorrer chuvas pesadas no final da tarde.
O Comandante Leite, prevendo mudanças de tempo na rota, preferiu manter-se em vôo visual mesmo encontrando CBs (cumulus nimbus) no litoral.
O vôo decorria sem problemas, apesar das nuvens volumosas irem tomando conta do céu em todas as direções. Voávamos sobre um colchão de nuvens, e vez por outra abria um buraco por onde se via a praia. O tempo se fechava para todos os lados, obrigando-nos a voar por instrumentos em sucessivas vêzes.
Vinte minutos fora de Vitória, recebemos o boletim meteorológico confirmando o aeroporto fechado para pousos e decolagens.
Havia um 'CB' estacionado em cima do aeroporto com chuva forte e muitas descargas elétricas.
Comandante Leite mantinha-se alerta na expectativa de encontrar um buraco por onde pudéssemos descer e driblar aquela preocupante nuvem.
Acendemos os avisos de “ apertar os cintos” e avisamos aos comissários de que iríamos atravessar turbulência.
Em poucos instantes o Catalina era jogado de uma lado para o outro causando um vôo desconfortável.
Repentinamente explodiu um relâmpago à minha direita, bem próximo à ponta da asa, acompanhado de um estalido seco do trovão, deixando no ar um forte cheiro de ozônio.
Foi aí que percebemos que havíamos entrado nas bordas de um 'Cumulus-Nimbus'; o Catalina reagia com espasmos violentos em todos os sentidos.
No painel os instrumentos enlouqueceram e não se conseguia ler as indicações dos mostradores.
O comandante lutava para controlar o avião e manter à rota.
O Catalina era jogado com toda violência para todos os lados, para cima quando o “ Climb” indicava descida ou vice-versa.
Apesar de ainda ser dia, o tempo escureceu e os relâmpagos e trovões explodiam sem parar ao nosso redor.
Nesse momento recebemos na proa uma forte pancada de granizo que por sorte não arrebentou o parabrisa.
Para sair daquele pandemônio o comandante conseguiu mudar o rumo para Leste, em direção ao mar, onde se presumia que o 'CB' já havia passado.
Acertou na decisão.
Quando o avião aquietou-se, iniciamos a descida sobre o mar encontrando teto a 100 metros de altura.
O Comandante respirou fundo, olhou para mim e desabafou:
- "Nunca se arrisque numa dessas..."

Esta foi uma grande lição que tive 'in loco', dada por um comandante experiente; naturalmente que o aluno ainda bem novo na função,teve seus momentos de grande preocupação durante aquela “aula”.

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*Os cumulonimbus são nuvens convectivas de trovoada que se desenvolvem verticalmente até grandes altitudes, com a forma de montanhas, torres ou de gigantescas couve-flores.
Têm uma base entre 300 e 1.500 metros e um topo que pode ir até 29 km de altitude podendo até ter quase 3 vezes a altura do monte Everest, sendo a média entre 9 e 12 km.
O topo é caracterizado pela chamada "bigorna": uma expansão horizontal devida aos ventos superiores, lembrando a forma de uma bigorna de ferreiro. São formadas por gotas d'água, cristais de gelo, gotas superesfriadas, flocos de neve e granizo.
Os cumulonimbus são alimentados por fenómenos de convecção muito vigorosos (por vezes com ventos de mais de 50 nós). Na base, são formados por gotículas de água, mas nas zonas mais elevadas da "bigorna", são já formadas por cristais de gelo.
Podem estar associados a todas as formas de precipitação forte, incluindo grandes gotículas de chuva, neve ou granizo. Uma trovoada é basicamente uma nuvem cumulonimbus capaz de produzir ventos fortes e tempestuosos, raios, trovões e mesmo, por vezes, violentos tornados.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cumulonimbus

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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Uma homenagem à PANAIR...



Navegando pelo 'youtube', encontrei um vídeo criado por Eduardo George,por sinal muito bem feito, que me fez arrepiar e gostaria de
compartilhar com todos, como eu, apaixonados pela aviação.
Uma homenagem lindíssima à antiga PANAIR DO BRASIL e ao CONSTELLATION, o 'Super Connie'.

E como dizia um jingle da VASP:

"Aperte seu cinto e solte a imaginação..."!

http://www.youtube.com/watch?v=n4VkwXeLQbs&feature=PlayList&p=48806728506B1F0F&index=22&playnext=2&playnext_from=PL


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sábado, 6 de junho de 2009

AVIÕES QUE FIZERAM HISTÓRIA - IV

(1049 Super Constellation da VARIG-1958-Foto obtida no Google)

(Constellation L.049 -Panair-foto obtida no Google)


QUADRIMOTOR CONSTELLATION

Em 01 de Outubro de 1945, alguns dias após o fim da II Guerra Mundial, foi entregue à TWA o primeiro Constellation.

Conhecido pelo apelido de "CONNIE",foi projetado e, desenvolvido pela Lockheed Corporation Burbank na Califórnia/USA ,por interesse do empresário Howard Hughes que apaixonou-se por esse modelo novo de avião comercial.
Quando finalizado ele comprou 40 unidades para sua empresa a TWA.

O Constellation, célebre nas décadas de 50 e 60, foi o avião oficial do presidente norte-americano Dwight D. Eisenhower, utilizado não apenas no setor civil, mas também com objetivos militares, quando participou da "Operação Ponte Aérea de Berlim”(1948-1949), que este ano completa 60 anos.

O Constellation L.049, era considerado o mais belo avião comercial do mundo, a majestade dos ares e pioneiro na realização dos vôos transoceânicos sem escalas.
Revolucionou a aviação comercial brasileira, pelos avanços tecnológicos da época.

Foram construídas diversas variantes com características melhoradas. Merece destaque o modelo 1049 Super Constellation, que entrou a serviço em 1952, capaz de transportar até 94 passageiros a uma distância de 5500 quilometros.

O modelo 1649 Staliner, o último dos Constellation, introduzido em 1956 era capaz de transportar 99 passageiros a mais de 8000 quilometros.

Nos anos 50, esses aviões eram o superlativo do luxo.

Os modelos L-49 foram usados pela PANAIR DO BRASIL nas rotas da Europa e Oriente Médio.
O primeiro voo para à Europa foi em 13 de setembro de 1947.

O modelo L-1049 Super Constellation ou o 'Super Connie', utilizado pela Varig, de início nas rotas para Nova York, fazendo o vôo Rio – Belém – Trujilo(Rep. Dominicana) e Nova York.

Especificações
Motor: 4 motores - Wright Ciclone
Características: Radial, 18 cilindros - 2.000 HP
Comprimento: 29,03 m
Envergadura: 37,49 m
Peso vazio: 22.906 Kg
Peso completo: 44.492 Kg
Lugares: 10 tripulantes + 46 a 81 passageiros
Velocidade de cruzeiro: 483 Km/h
Velocidade máxima: 531 Km/h


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terça-feira, 2 de junho de 2009

AVIÕES QUE FIZERAM HISTÓRIA - III


(Fotos obtidas no Google)

O lendário Douglas-DC-3

Avião bimotor de maior versatilidade, nos tempos de guerra e de paz, na história da aviação.
Fabricado pela Douglas Aircraft Company em Santa Mônica, Califórnia, EUA.
Foi lançado em 17 de dezembro de 1935 e levou o nome do seu fundador
Donald Douglas.

Utilizado durante a 2ª. Guerra Mundial para abastecimentos nos fronts, de equipamentos, tropas, munições, nas ações de lançamento de pára-quedistas e repatriamento de mutilados.
Nessa época foram fabricados mais de 10.000 unidades.
Uma aeronave extraordinária,operava em toda e qualquer missão e tinha a capacidade de pousar e decolar em pistas curtas e improvisadas.
Eisenhower,general na Segunda Guerra Mundial, teria manifestado sua admiração a respeito dessa aeronave:
"Graças ao DC-3, os aliados venceram a guerra!"

Com o término do conflito eles foram adaptados ao transporte comercial de passageiros.
Inicialmente foram convertidos para 18 lugares em classe única. Posteriormente, eliminaram a área de comissaria ampliando para 22 lugares.
No interior da aeronave instalaram-se duas filas duplas de poltronas com um corredor no centro.
A tripulação era composta do Comandante, Co-piloto, Rádio Operador (que tempos depois foi eliminado por conta do aperfeiçoamento da Rádio-fonia) e opcionalmente duas comissárias.
Isso fez com que houvesse uma verdadeira corrida das companhias aéreas à procura de adquirir os DC-3, excedentes de guerra, que passou a ser o avião de transporte padrão em vários países,inclusive no Brasil.
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domingo, 31 de maio de 2009

AVIÕES QUE FIZERAM HISTÓRIA - II




(Foto retirada do Google-The images from the History of Air Cargo and Air Mail Book)
(Foto acima Junkers JU-52 - PP-CBC - sobrevoando o Rio de Janeiro década de 30-Google)



TRIMOTOR JUNKER (JU 52)

O JU 52 um avião confiável, de fácil construção e esteve presente em todas as frentes de batalha da Werhmacht, lançando paraquedistas na Operação Merkur ou evacuando tropas em Kurland.
Isso sem citar sua extraordinária carreira na Aviação Civil na década de 1930 e seu serviço no pós-guerra.
Fabricado na década de 1920, pela Deustsche Lufthansa - Companhia Área Estatal Alemã - considerada a empresa área mais poderosa que existia na época. Com ela, se poderia voar para qualquer parte do mundo no mais absoluto conforto e com toda segurança.
O Ju 52/1m tinha um resistente esqueleto metálico e sua fuselagem era revestida de chapas de duralumínio ondulado, permitindo um menor arrasto em vôo.
Essa aeronave fez o seu vôo inaugural em 03 de setembro de 1930. Apesar de equipada com motores dos mais simples da época, era capaz de acomodar facilmente 17 passageiros.
Os seus pilotos o apelidaram carinhosamente de "Tante Ju"-'Tia Ju', pela facilidade de pilotar e poder operar em qualquer pista a mais rústica que fosse.

No Brasil não foi utilizado como um avião militar, como o fez a Bolívia na Guerra do Chaco de 1932.
Na realidade, 24 aparelhos comerciais operaram, com grande confiabilidade, nos céus nacionais entre os anos de 1933 a 1947.
A maior parte deles foi adquirida pelo Syndicato Condor S/A, o qual, reuniu uma frota de 16 aviões desse tipo e com eles pode desbravar localidades no interior do Brasil nunca antes explorada.

O sucesso foi tão grande, que em 1937, o Brasil já contava com uma rede aérea cobrindo boa parte do litoral oriental nordestino e parte da Amazônia Brasileira, tudo isso graças à versatilidade e robustez dos "Tante Ju".

O uso dos Junkers Ju 52 no Brasil começou a ser descartado no final de 1943, tanto pelo Serviços Aéreos Condor LTDA (nova denominação para o Syndicato Condor S/A) quanto pela Vasp,ambas tinham problemas em manter a frota dos trimotores, principalmente por causa da escassez de peças de reposição.

Foram gradativamente substituídos pelos Douglas DC-3 norte-americanos, por eles transportarem maior número de passageiros e serem mais econômicos.
Os Ju 52 sobreviventes da Vasp, Varig e da Condor foram vendidos para outros países da América Latina, sendo que em 1950 já não havia, praticamente, nenhum desses aparelhos em serviço no Brasil.
Atualmente ainda existe no mundo alguns Junkers Ju 52 em perfeito estado de conservação e em condições de vôo.
Na Alemanha, Suíça, Espanha, França e na África do Sul estão sendo utilizados para vôos panorâmicos.

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AVIÕES QUE FIZERAM HISTÓRIA - I





(Fotos obtidas no Google)


MONOMOTOR LATÉCOÈRE (LATÉ 28)

O avião Laté-28 de Mermoz


Fabricado na França pela Indústria Latécoere,foi usado por Jean Mermoz para fazer a primeira travessia do Atlântico Sul,conduzindo malas postais.

A Compagnie Génerale Aéropostale, que já fazia a linha entre Toulouse, Casablanca e Dacar, pretendia estender sua linha para a América do Sul. Os primeiros testes começaram na década de 1920 a 1930.

Em 01/03/1928, foi inaugurado o primeiro serviço aeropostal para a América do Sul, pela rota de Toulouse a Dacar.

As malas postais eram transferidas para um navio de rápida velocidade que se destinava à Natal, chegando, eram colocadas nos aviões que as levavam até Buenos Aires.

Nos dias 12 e 13/5/1930, Mermoz realizou a primeira travessia do Atlântico Sul usando o hidroavião Laté 28.3 F-JNQ Comandante de La Vaulx, ligando São Luís do Senegal à Natal/RN.
Como navegador levou o francês Jean Dabry e Gimier como operador de TSF (Telégrafo sem fio).
Após 20 horas e meia de vôo ininterrupto, Mermoz pousou em Natal (Rio Grande do Norte), estabelecendo o recorde mundial de distância (3.160 quilômetros) para um avião, realizando vôo sem escala.


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sexta-feira, 15 de maio de 2009

AVIÕES - "O homem há de voar”

Foto 1 (obtida no Google)
Foto 2 (Obtida no Google)

AVIÕES
"O homem há de voar”

(Santos Dumont)

Depois que Santos Dumont criou em 1907, o 'Demoiselle', (do francês “senhorita”), pela sua graciosidade e leveza e sem patentear o seu invento, o avião surgiu simultaneamente em várias partes do mundo, especialmente na Europa e nos Estados Unidos.

Foi uma verdadeira explosão de interesses que despertou entre os ricos aventureiros e os meios esportivos das corridas aéreas.

A 1ª. Grande Guerra (1914/1918) foi a grande responsável em difundir o invento do brasileiro; foi uma arma poderosa,orientava os tiros da artilharia,usado nas missões de reconhecimento, identificação de alvos,bombardeios,combates aéreos, controle e destruição e vôos de ligação.

Com isso, surgiram os grandes ases da aviação, pilotos que se destacaram pela coragem nos duelos aéreos,como o legendário piloto alemão o 'Barão Vermelho'.

Mas aí é outra história...

Como meio de transportes de malas postais e passageiros ,popularizou-se lá pelos anos '20 com o aparecimento dos multimotores.

O simpático Junker JU-52(foto1), um trimotor cujo o vôo inaugural ocorreu na Alemanha em 03 de setembro de 1930,foi um sucesso mundial.Os primeiros aviões da série,eram capazes de acomodar facilmente 17 passageiros. No Brasil foram adquiridos várias unidades dele pelas empresas aéreas VARIG e VASP.
Logo depois, surgiu nos Estados Unidos,o tranquilo Douglas DC-3(foto 2),lançado em 17 de dezembro 1935,um bimotor para uso civil, que participou da frota das principais empresas aéreas do mundo,inclusive às brasileiras.

Na 2ªGuerra,(1939-1945), foi usado com o nome de C-47,versão militar,desempenhando muito bem como um avião de suprimentos das forças aliadas,transportando material bélico,tropas,paraquedistas,médicos e pacientes.
Podia carregar até 2.700 Kg de carga.

Esses dois modelos foram os principais pilares da aviação comercial no mundo, quando ainda não se conhecia a propulsão a jato.