sexta-feira, 10 de julho de 2009

AVIADORES QUE FIZERAM HISTÓRIA I

(Fotos obtidas no Google)

Carta autógrafa de Santos Dumont, descrevendo o aeroplano Demoiselle, em 15/2/1920, escrita em sua casa de Petrópolis/RJ, que chamava de "A Encantada".



ALBERTO SANTOS DUMONT
Um Gênio Brasileiro, o Pai da Aviação.

"Inventar é imaginar o que ninguém pensou; é acreditar no que ninguém jurou; é arriscar o que ninguém ousou; é realizar o que ninguém tentou. Inventar é transcender.”

(Santos Dumont)

Alberto Santos-Dumont foi o primeiro aeronauta que demonstrou a viabilidade do vôo mais pesado do que o ar. O seu vôo no “14-Bis” em Paris, em 23 de Outubro de 1906, na presença de inúmeras testemunhas, tornou-se um marco na história da aviação, embora que personagens de outros países reinvidiquem esse pioneirismo.

Entre eles estão os aeronautas Gabriel Voisin, Louis Blériot, Wilbur e Orville Wright, Trajan Vuia e Henry Farman.

Foi também o primeiro vôo verificado pelo Aeroclube da França. É considerado como um dos pioneiros da aviação por haver construído e pilotado o “14Bis”, a primeira aeronave que decolou com seus próprios meios do Campo de Bagatelle em Paris. O vôo percorreu 60 metros, a 2 e 3 metros de altura.

Em 1907, depois do grande sucesso do 14Bis, construiu em 15 dias, um monoplano que deram-lhe o nome de 'DEMOISELLE'.
Uma treliça de bambu com juntas metálicas constituía sua estrutura de 8 metros de comprimento.

Foi o primeiro aparelho com as formas tradicionais do avião de hoje. A série Demoiselle iniciou em 1907 com o no. 19 e foi sendo aperfeiçoado até o ano de 1909 com o no. 22. Este último modelo era equipado com um motor de 35 hp e alcançava 96 kph.
Através desse monomotor a intenção do inventor era popularizar a aviação.

‘Um voo de poucos segundos com o fantástico Demoiselle de Santos Dumont’.
Vídeo postado por alfsantista-21/09/2006

http://www.youtube.com/watch?v=T243CHZDodw

Este pequeno avião, muito semelhante aos ultraleves de hoje, e por ele nunca haver patenteado, foi reproduzido pelo mundo afora e poderá ter alcançado 200 unidades para um universo de aviadores desde os heróis da primeira grande guerra.
Este modelo inspirou vários construtores da época, como foi o caso do ANT-2, projetado na União Soviética, por Andrei Tupolev, que voou em 26 de maio de 1924.
Na Alemanha, o Focke-Wulf A16 para três tripulantes tinha uma estrutura semelhante ao Demoiselle.
Nos Estado Unidos foi criado o Aeronca C-2 inspirado também no avião de Santos Dumont.

'Balão Brasil'

De família abastada, o jovem Alberto foi mandado a estudar em Paris, lá sofreu a influência dos romances de Júlio Verne e passou a se interessar pela aerostação, construindo balões.

“Efetuou a primeira ascensão em 4 de julho de 1898 e declarou:
"O meu primeiro balão, o menor, o mais lindo, o único que teve um nome: “Brasil!”."

"A partir daí, os balões idealizados por Santos-Dumont passaram a ser numerados. O balão N.º1 tornou-se um marco na história da aerostação, porque foi impulsionado por um motor a gasolina.
Nele, em 20 de setembro de 1898, pela primeira vez, os parisienses viram um motor trepidando e roncando nos ares.

De número em número, alternando-se sucessos e fracassos, a cada ascensão, Alberto Santos-Dumont colocava nos balões uma flâmula verde e amarela, a indicar que ali estava um brasileiro.”

(Lauret Godoy é autora do livro “O Jovem Santos Dumont” juntamente com Guca Domenico).

Uma grande vitória foi conseguida em 12 de julho de 1901, quando, partindo de um ponto conseguiu retornar ao mesmo local da partida.
O fato teve grande repercussão e, por não ser francês, recusou a cruz da legião de Honra que lhe foi oferecida.
No mês seguinte, o Aéro Clube da França concedeu-lhe uma medalha de ouro.

Satisfeito com os resultados conseguidos na dirigibilidade dos balões, em 19 de outubro de 1901, apresentou-se para disputar o prêmio 'Deutsch de la Meurthe', cujo itinerário consistia na circunavegação da Torre Eiffel dentro do prazo de trinta minutos. Conseguiu realizar a façanha.
Ganhou o prêmio de 100.000 francos que foi dividido pelo vencedor entre os pobres de Paris e os mecânicos que com ele haviam trabalhado na construção dos aparelhos.

Por sua vez o Congresso Brasileiro aprovou a concessão de 100 contos de réis, em lei sancionada pelo Presidente da República, Campos Sales, que enviou a Santos-Dumont o seguinte telegrama:

"Tenho o prazer de informar-vos que, hoje, data memorável para o nosso País, assinei a lei votada pelo Congresso Federal vos concedendo, como prova de reconhecimento nacional, cem contos de réis, em memória do brilhante sucesso que alcançastes no vosso ensaio aeronáutico de 19 de outubro".

O Aéro Clube de Paris ofereceu-lhe um banquete no dia 5 de novembro de 1901.
Em 1904 editou o seu livro "Dans l’Air",
que em português seria divulgado com o título de "Os Meus Balões”.

“Um aspecto menos conhecido da biografia do aviador, além de sua ousadia, era sua excentricidade aliada a uma peculiar elegância - todos o conheciam por seu chapéu panamá, ternos com corte impecável e camisas de gola alta."
( Guilherme Ravache, revista Quem Acontece)

Ele era uma das figuras mais festejadas de Paris.

Muito rico Dumont despertava a atenção de todos. Era herdeiro de uma fortuna de meio milhão de dólares.”

Em 1905, Santos-Dumont deu início as suas experiências com “o mais pesado do que o ar – o aeroplano”.

No dia 19 de outubro de 1913 o Aéro Clube da França inaugurou em Saint-Cloud um monumento a Santos-Dumont, representando o lendário Ícaro numa estátua de bronze.

No Segundo Congresso Científico Pan-americano, proferiu, a 4 de janeiro de 1916, uma conferência intitulada -
"Como o aeroplano pode facilitar as relações entre as Américas".

Em 1918 o Governo Brasileiro doou a Santos-Dumont a casa em Cabangu onde nascera perto da estação de Palmira, em Minas Gerais.

- Primeira Guerra Mundial-
Cansado e com a saúde abalada, Santos-Dumont realizou seu último vôo em 18 de setembro de 1909. Depois fechou sua oficina e em 1910 retirou-se do convívio social. Em agosto de 1914, a França foi invadida pelas tropas alemãs. Era o início da Primeira Guerra Mundial.

Aeroplanos começaram a ser usados na guerra e Santos Dumont amargurou-se ao ver sua invenção ser usada com finalidades bélicas.

Já sofrendo com a depressão, encontrou refúgio em Petrópolis, onde projetou e construiu seu chalé "A Encantada": uma casa com diversas criações próprias, como um chuveiro de água quente e uma escada onde só se pode pisar primeiro com o pé direito.

Permaneceu lá até 1922, quando visitou os amigos na França. Passou a se dividir entre Paris, São Paulo, Rio de Janeiro, Petrópolis e Fazenda Cabangu, MG.

Em 1922, condecorou Anésia Pinheiro Machado, que durante as comemorações do centenário da independência do Brasil, fizera o percurso Rio de Janeiro-São Paulo num avião.

Em janeiro de 1926, apelou à Liga das Nações para que se impedisse a utilização de aviões como armas de guerra. No mesmo ano, inventou um motor portátil para esquiadores, que facilitava a subida nas montanhas.

Internou-se no sanatório Valmont-sur-Territet, na Suíça.

Em 1931 a Academia Brasileira de Letras o elegera para ocupar a cadeira nº 38, vaga pelo falecimento do romancista Graça Aranha. Não chegou a tomar posse e, em seu lugar foi escolhido o escritor Celso Vieira.

Aos 59 anos de idade suicidou-se Santos-Dumont, em 23 de julho de 1932, em Guarujá, São Paulo.
Estava profundamente traumatizado, ao que se presume, com o desenrolar do movimento revolucionário irrompido a 9 do referido mês, nos Estados de São Paulo e Mato Grosso.

"Criei um aparelho para unir a humanidade, não para destruí-la”.

Uma curiosidade é que a certidão de óbito do inventor ficou desaparecida por cerca de 23 anos. O motivo da morte foi omitido desde a ditadura de Getúlio Vargas, quando se criou a figura-mito do herói nacional.

Laudo necrológico pelo legista Roberto Catunda, nos arquivos policiais: Transcrição parcial: Guarujá - Alberto Santos Dumont - 23-julho-1932.

“Alberto Santos Dumont - Brasileiro, branco, solteiro, com 59 anos de idade, inventor. Ao que consta, foi encontrado morto em um dos apartamentos do hotel de la Plage, no Guarujá, onde residia.
Trata-se do cadáver de um homem de estatura mediana e de constituição regular, ainda em estado de flacidez muscular.
Veste terno de casemira preta, gravata preta e calça botinas pretas. Não encontramos pelo corpo vestígio de lesão traumática.
A morte se deu por colapso cardíaco"

(Do acervo do historiador Waldir Rueda)

A 31 de julho de 1932, a sua cidade natal, Palmira/MG teve mudado seu nome para Santos-Dumont.

Em 22 de setembro de 1959 foi concedido ao pioneiro da aviação o posto honorífico de Marechal-do-Ar.

Tornou-se o Patrono da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira, onde recebeu a patente de Marechal-do-Ar, sendo considerado até hoje, o brasileiro que mais se destacou na história da aviação mundial.

"Os pássaros devem experimentar a mesma sensação, quando distendem suas longas asas e seu vôo fecha o céu...
Ninguém, antes de mim, fizera igual".

Alberto Santos Dumont
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Arquivo de vídeos, sons e textos históricos e literários. Santos Dumont, o verdadeiro pioneiro da aviação - fvet66 -01.08.2006


Fonte: Artigos publicados no Google



domingo, 5 de julho de 2009

AVIÕES QUE FIZERAM HISTÓRIA IX

(Fotos obtidas no Google)

QUADRIREATOR SUPERSÔNICO - CONCORDE

A aviação comercial começava a sonhar com o avião supersônico. Em 1952 os projetistas já tinham uma idéia a respeito e para ser posta em prática exigia um vultoso investimento de capital.
Os fabricantes British Aircraft Corporation (BAC) da Inglaterra e a Aeropostiale da França iniciaram os entendimentos e concordaram associarem-se para desenvolver o projeto que chamaram ‘Concorde’,um avião comercial com velocidade superior a do som.

O sonho começou a se concretizar em 1962 com a construção dos dois primeiros protótipos, um da França (Toulouse) e outro na Inglaterra (Filton).
Era a época da guerra fria,e os russos faziam tudo para desmoralizar o mundo ocidental.Conta-se que subornaram um engenheiro que trabalhava no projeto Concorde e, na verdade,a primeira aeronave supersônica de transporte civil a
estreiar nos ares foi o "Tupolev 144" ou "TU-144",em 31 de dezembro de 1968.
Era praticamente idêntico ao Concorde e por essa semelhança, no ocidente, ironicamente o apelidaram de "Konkordski".
Esse avião teve vida curta,numa Feira de Aviação em Paris,explodiu durante o voo de demonstração.
Em 02 de março de 1969 os franceses fizeram o primeiro vôo de teste que foi considerado satisfatório.
O Concorde, em 4 de setembro de 1971, começou a fazer voos de demonstração pelo mundo afora, inclusive, inaugurando o Aeroporto Internacional de Dallas-Fort Worth em 1973, quando a aeronave visitou os Estados Unidos.
Esses voos fizeram com que o Concorde acumulasse pedidos de mais de 70 aeronaves.
No dia 21 de janeiro de 1976 começaram os voos comerciais,com capacidade para 100 passageiros, ligando Paris ao Rio de Janeiro (fazendo uma escala em Dakar).

Voar no Concorde tornou-se uma experiência única.
Com uma velocidade de cruzeiro em torno de 2,5 maior de qualquer aeronave de passageiros existente (1.150 nós contra 450 nós, sendo 1.292 nós o recorde em 19 de Dezembro de 1985).
Os voos do Concorde permaneceram sem acidentes por cerca de 24 anos, voando regularmente, para Nova Iorque e Washington, as cidades de Miami, Caracas, Ilha de Santa Maria, Dakar, Bahrain, Cingapura, Cidade do México e Rio de Janeiro.
Na década de 70 ocorreram várias crises que atrapalharam a comercialização do Concorde, a pior delas foi à alta vertiginosa do petróleo. Mesmo assim, o avião tornara-se o expoente máximo da indústria aeroespacial européia.


Porém, em 25 de julho de 2000, um Concorde da Air France durante a decolagem do aeroporto de Paris estourou um dos pneus, pedaços de borracha atingiram o tanque de combustível provocando uma explosão que derrubou a aeronave.
A causa, um pedaço de metal que havia se soltado de um DC-10 da Continental Airlines que tinha decolado minutos antes.


Nesse acidente morreram 113 passageiros.

Este fato paralisou toda a frota francesa e britânica
por mais de 1 ano, e foi o começo do fim para essa extraordinária e glamorosa aeronave.
As duas únicas empresas que compraram o Concorde (British Airway e Air France) decidiram em 2003 deixar de operar àquele avião por ser anti-econômico.
A Air France possuía seis unidades e a Britsh Airways sete, encerrando assim a carreira dos supersônicos para passageiros.


O último voo oficial do Concorde foi feito pela British Airways, em 24 de outubro de 2003,vindo de Nova York, para o aeroporto de Heathrow/ Inglaterra, onde foram realizadas várias homenagens ao avião,uma delas, o movimento do "Bico" (Levantamento e Rebaixamento), e logo depois seus motores foram desligados fechando um dos mais gloriosos capítulos da aviação.

“Adieu supersonic, good bye Concorde!”
Concorde - A flying legend From the birth, over the crash and the end of travelling. In the memory of the victims of the crash of Paris in the ...
Vídeo de despedida do CONCORDE postado por James Kirk no youtube vale a pena ser visto essa justa homenagem:

sábado, 27 de junho de 2009

AVIÕES QUE FIZERAM HISTÓRIA VIII



(Fotos obtidas no Google)

O BOEING 707

O Boeing 707 é um quadrijato com dois motores sob as asas. Voou primeira pela primeira vez em 1954, mas só em 28 de 0utubro de 1958, começou a ser operado como avião civil para passageiros, pela Pan American, na rota Nova York-Paris.

O 707 foi o primeiro avião comercial a ter uma explosão de vendas. A aeronave foi um sucesso nos voos comerciais colocando a Boeing no posto de maior fabricante de aeronaves do mundo.

O alcance do 707 é de aproximadamente 10.659 km com uma velocidade de cruzeiro de 815 km/h,transportando 181 passageiros.
A produção do 707 que havia começado em 1954 terminou em 1978, embora, as versões militares tenham continuado até 1991.

Fabricou-se um total de 1.012 unidades.

Muitas companhias do mundo utilizaram o 707 nas suas linhas regulares, especialmente nos Estados Unidos que até o transformaram no avião presidencial.

No Brasil só a VARIG teve este avião.

Quando estava se descartando dele, dois foram para a FAB e um deles de 1986-2005,foi readaptado com apenas 90 assentos,metade da sua capacidade original para servir à Presidência da República;se tornando famoso pelo apelido de SUCATÃO. Um outro 707 foi cedido a Transbrasil que o transformou em avião cargueiro.

A Varig perdeu três Boeing 707:

Uma aeronave em Lima, no Peru, que colidiu com uma montanha; outro chegando a Paris, em ORLY, cujo acidente foi causado por um incêndio iniciado no lavatório (algum passageiro jogou uma ponta de cigarro, ainda acesa, dentro da lixeira).
O Comandante desse vôo foi um dos poucos sobreviventes desse acidente.

No dia 30 de janeiro de 1979, um avião cargueiro, prefixo PP-VLU, tendo como comandante *Gilberto Araújo da Silva e, mais cinco tripulantes, decolou de Tóquio e o destino final seria o Aeroporto do Galeão, mas com uma escala nos Estados Unidos.
Depois de 30 minutos de vôo sobre o oceano Pacífico, sumiu da tela do radar, e se tornou o maior mistério da aviação mundial, até os dias de hoje.
Os destroços nunca foram localizados.

No relatório final sobre o acidente, consta o seguinte:

"Não foi possível encontrar nenhum indício que lançasse qualquer luz sobre as causas do desaparecimento da aeronave“.

Fonte: Google- Wikipédia- Vôo Varig PP-VLU

*Por ironia do destino o comandante Giberto tinha sido o único tripulante sobrevivente

do acidente de ORLY na França.


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quinta-feira, 25 de junho de 2009

AVIÕES QUE FIZERAM HISTÓRIA VII

(Foto obtida no Google)

Quadrireator Comet

Só após a segunda guerra mundial a indústria aeronáutica mundial passou a se interessar pelos aviões civis movidos a jato.
O DH 106 Comet foi o primeiro jato comercial do mundo, produzido na Inglaterra e lançado em julho de 1949 pela Industria De Havilland. Esta aeronave foi projetada para voar até 10.000 metros de altura, a uma velocidade média de 750 kph.
Só em 1952 passou a voar comercialmente na BOAC(British Overseas Airways Corporation) Empresa Aérea Inglesa.
Apesar do sucesso por conta da velocidade, apresentava dois pontos negativos: alto consumo de combustível e pouco raio de ação, mesmo assim, a empresa passou a utilizá-lo nas suas rotas internacionais.

“O primeiro vôo de fato deu-se em 2 de maio de 1952, com a partida do aeroporto de Heathrow, Londres, rumo a Johannesburg, na África do sul. Este pioneiro vôo, pela companhia aérea inglesa Boac, foi seguido de um ano de sucessos e de vendas, que pareciam configurar para o avião uma existência de glórias.
Contudo, em 2 de março de 1953, o Comet começou a revelar sua verdadeira personalidade, a de assassino alado.
Neste dia, um Comet explodiu ao decolar em Karachi, no Paquistão, matando seus 11 ocupantes. Em 2 de maio do mesmo ano, um Comet desmanchou-se no ar duas horas depois de decolar de Calcutá, na Índia, ao entrar em uma nuvem de tempestades do tipo cúmulos-nimbus. Morreram 43 pessoas.
As autoridades e os fabricantes apressaram-se em culpar os tripulantes por suposta imperícia ou as condições meteorológicas.
No entanto, em 10 de janeiro de 1954, o mesmo exemplar do Comet que inaugurou a era do jato em maio de 1952 explodiu em pleno vôo depois de decolar de Roma, como um céu de brigadeiro, sem nuvens.
No dia seguinte, os Comets foram interditados e passaram por uma série de mudanças, voltando aos céus em março.
Porém, em abril do mesmo ano, um outro acidente com a aeronave fez com que as autoridades britânicas caçassem a licença de operação da pioneira linhagem de jatos. Investigações posteriores concluíram que o formato das janelas do aeroplano, quadradas, eram inadequadas para aviões velozes e pressurizados, pois facilitavam o surgimento de rachaduras em suas arestas e a conseqüente desintegração dos aviões no ar”.
(Fonte:Paulo Martinelli

O Governo Britânico enviou navios da Marinha para o local do acidente do avião que decolou de Roma e conseguiu resgatar dois terços dos destroços, que foram enviadas a Farnborough a fim de investigar as causas do acidente. Os engenheiros, usando as peças resgatadas complementadas com peças novas conseguiram remontar todo o avião.
Paralelamente, mergulharam num tanque d’água outro Comet, para simular a ação da diferença de pressão atmosférica nas grandes altitudes sobre a fuselagem. Finalmente os técnicos descobriram o que motivou o acidente: fadiga do material empregado na construção.
A estrutura da aeronave não suportava a diferença de pressão atmosférica das grandes altitudes. A fuselagem se rompia provocando o acidente.
Imediatamente foram feitas as modificações necessárias, inclusive trocando os formatos das janelas que passaram a ser oval a fim de evitar pontos de tensão nas extremidades.
Devido a todos esses problemas, o Comet teve uma vida curta porém ofereceu informações valiosas da maior importância para a segurança dos novos projetos de aviões a jato que estavam chegando.
Este avião pagou pelo pioneirismo, mesmo assim voou comercialmente em algumas companhias; na América do Sul só a Aerolineas Argentina, que em 1958 passou a usar o Comet na linha da Europa.
Por conta do seu curto raio de ação, era obrigado a pousar em Natal, a fim de abastecer o suficiente para fazer a travessia do Atlântico sul.


terça-feira, 23 de junho de 2009

AVIÕES QUE FIZERAM HISTÓRIA VI

(Foto obtida no Google)

ELECTRA II

Trata-se de um avião turbohélice de quatro turbinas, criado pela empresa americana Lockheed, depois de ouvir os apelos das empresas aéreas que necessitavam de uma aeronave de médio alcance.
A sua fabricação teve início em 1955 e seu primeiro vôo comercial ocorreu em 12 de Janeiro de 1959 com a Eastern Airlines.
Quando a Varig incorporou à empresa Real/Aerovias em 1961, o Electra II ainda não havia sido entregue pela fábrica, chegando somente em 1962.
Inicialmente o avião foi usado com certa reserva por conta de alguns problemas estruturais que ocorreram nos modelos originais.
Com as modificações sofridas e no decorrer dos tempos, o avião convenceu pelas suas qualidades, para uso em pistas curtas e médias distâncias, tornando-se o melhor avião já usado na Ponte Aérea Rio/São Paulo, desde março de 1975. Ficou exclusivo daquele serviço, até 05 de janeiro de 1992, quando a VARIG o substituiu pelos Boeing 737.
O sucesso comercial desse avião ofereceu a oportunidade das empresas aéreas criarem um ‘pool’ aéreo cujo rendimento chegou a uma média de 66 vôos diários na Ponte Aérea.
...RECORDANDO O ÚLTIMO VÔO DO ELECTRA NA PONTE AÉREA...

Características Técnicas:
Tipo: Monoplano quadrimotor de asa baixa, construção totalmente metálica, para transporte de passageiros em curtas distâncias.
Grupo moto-propulsor: Quatro motores turbohélice Allison 501-d13A de 3.750 ESHP cada, equipados com hélices quadripás Aeroproducts A6 641FN-606.
Dimensões:
Envergadura: 30,18 m
Comprimento: 31,85 m
Altura: 10,00 m
Área alar: 120,80 m2
Pesos vazios: 26.036 kg
Peso básico operacional: 27.895 kg
Peso máximo de decolagem: 51.256 kg
Peso máximo de pouso: 43.387 kg
Carga paga máxima: 12.020 kg
Carga alar: 300 kg/m2
Relação peso/potência: 3,4 kg/ESHP
Carga G máxima: +2,5 e -1
Velocidade máxima: 721 km/h
Velocidade de cruzeiro: 650 km/h
Velocidade de cruzeiro econômico: 600 km/h
Velocidade de estol: 172 km/h
Razão inicial de subida: 10 m/s
Teto de serviço: 8.655 m
Alcance máximo 4.500 km
Distância de decolagem: 1 438 m (com peso de 51.256kg)
Distância de pouso: 1.310 m (com peso de 38.783kg)

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sábado, 20 de junho de 2009

TRIBUTO AO " PBY CATALINA "

TRIBUTO AO PBY CATALINA

A fábrica de aviões Consolidated Aircraft dos EUA produziu o avião PBY Catalina, entre os anos 1930 a 1940, um anfíbio muito usado durante a Segunda Guerra Mundial. Foi criado pelo engenheiro aeronáutico Isaac Macklin Laddon.

“O novo projeto introduziu suporte interno nas asas, o que reduziu bastante a necessidade por braçadeiras e cabos de amarração que provocavam arrasto. Uma melhoria significativa sobre seus antecessores, possuindo ainda um alcance de 4.095 km e peso máximo na decolagem de 13.220 Kg.”

Fonte:
Warbird Alley e Naval History of WW2

Há uma estimativa de que se produziu mais de 4.000 unidades até 1945.
Essa aeronave podia ser equipada com armamentos de guerra: bombas de profundidade, torpedos e metralhadoras, mas sua melhor aplicação foi como avião de transporte em várias partes do mundo, inclusive na Amazônia brasileira, após o conflito.

Alguns Catalinas chegaram ao Brasil, na versão militar, em 1943 durante a 2ª. Guerra e, ficaram baseados em Belém, Rio de Janeiro e Florianópolis fazendo o patrulhamento do litoral brasileiro.
Aqui em NATAL essas aeronaves frequentemente eram vistas ancoradas na foz do rio Potengi, em frente à “Rampa” (antiga instalação física, equipada com uma rampa de concreto destinada a retirar da água, os hidroaviões que necessitavam de manutenção).

Foi nessa época que o Capitão Alberto Martins Torres, da FAB, pilotando um Catalina,localizou e destruiu nas costas nordestinas,o submarino alemão U-199,no dia 31 de julho de 1943.

Ao término da 2ª. Guerra, a marinha americana deixou ficar no pátio da “Rampa” quatro Catalinas.
Depois de algum tempo essas aeronaves, já um tanto deterioradas, foram a leilão.
Os arrematadores foram o Comandante Custódio Neto, licenciado da Panair do Brasil, Comandante Rocha, paraense, já aposentado e o Sr. MacLaren, convidado pelo Comandante Custódio Neto para participar de uma sociedade.

Os três juntos recuperaram os aviões e fundaram em 1947, uma empresa aérea chamada AERO GERAL LTDA, para transporte de carga entre Natal e Santos, que voou até 1952 quando foi vendida à VARIG.

Na Amazônia onde não havia aeroportos, a solução encontrada pela FAB foi usar os Catalinas, pousando nos rios para chegar às comunidades ribeirinhas.
A PANAIR do BRASIL também usou esse avião, em linha regular na região, ligando as principais cidades interioranas à Manaus e Belém.

No fim do século 20, esteve em Natal um grupo de franceses usando um Catalina, refazendo a rota dos vôos de Mermoz. Essa aeronave estava em plena forma e era usada no Lago Vitória,localizado na África Oriental,entre os países Tanzania,Quênia e Uganda,para voos panorâmicos.
Atualmente no Brasil, dois PBY encontram-se expostos em museus, um na Base Aérea de Belém e outro no Museu Aeroespacial do Rio de Janeiro.

“Os Catalinas também provaram eficiência em missões de busca e resgate onde usavam o nome-código "Dumbo".
Normalmente, pequenas células de três PBYs orbitavam em prontidão próximo a alvos em áreas de combate. Uma dessas células, baseada nas Ilhas Salomão, resgatou 161 pilotos entre 1º de Janeiro e 15 de Agosto de 1943.
Após a Segunda Guerra, o PBY continuou no serviço de busca e salvamento em muitos países da América Central e do Sul assim como na Dinamarca até os anos 70.”

Fonte:
Warbird Alley e Naval History of WW2

O Catalina foi um avião extraordinário, superado pelas grandes conquistas da tecnologia moderna mas, dentro da filosofia para o qual foi criado, ele nunca foi ultrapassado.

A seguir um vídeo onde o CATALINA é visto em operação:

http://www.youtube.com/watch?v=-vTGWCX2tVo&feature=fvsr

FONTE: (FUNTIMESTEVE VIDEOS)

Informações técnicas:

Projeto: Isaac M. Laddon
Tipo: Patrulha/Bombardeiro
Tripulantes: Nove
Primeiro vôo: 28 de março de 1935
Motores: 2 Pratt & Whitney R-1820-92 Twin wasp de 1.200 hp .
Envergadura: 31.70m.
Comprimento: 19.47 m
Altura: 6.50 m.
Peso vazio: 9.485 kg.
Peso bruto: 16.066 kg ( para decolagem )
Velocidade máxima: 288 km/h
Teto: 4.480 m.
Autonomia: 4.096 km
Introduzido no Brasil: 1943
Aviões adquiridos pelo Brasil: aproximadamente 28.

terça-feira, 9 de junho de 2009

AVIÕES QUE FIZERAM HISTÓRIA - V



(Essas imagens são pinturas feitas por Gustavo Aguiar-
Repintor-Grupo de design do site :http://www.texturasbr.uni.cc/home/?act=staff )


SE 210 CARAVELLE

O Caravelle foi um avião bem sucedido, o primeiro jato desenhado no mundo para linhas curtas, produzido pela empresa francesa SUD AVIATION.

A concepção do modelo remontando ao ano de 1946 só foi autorizado pelo governo francês no ano de 1951.
Até então a aviação civil só conhecia aeronaves movidas à hélices.

Levaram quatro anos para construir o protótipo, o primeiro avião com as turbinas instaladas na cauda, depois foi imitado pelos americanos com Boeing 727 e na Inglaterra com o DC9.

O vôo inaugural foi em 27 de maio de 1955, tendo por engenheiro de vôo Roger Beteille, que anos mais tarde tornou-se diretor da Airbus.

A Sud-Aviation, ainda passou três anos, no programa de desenvolvimento aperfeiçoando os sistemas para evitar que se repetisse a tragédia dos *COMET.

A primeira encomenda foi feita pela Air France(1956), logo depois, a empresa a usar o Caravelle foi a Scandinavian (SAS) que inaugurou os serviços com o modelo em 26 de abril de 1959.
A partir daí, o Caravelle passou a voar pelo mundo, inclusive no Brasil.No total foram produzidos 282 aviões deste modelo.

A Varig inaugurou com ele a era do jato em nosso país e por esse motivo, Congonhas/SP, foi o primeiro aeroporto da América Latina a operar utilizando a tecnologia do radar.
A seguir, veio a Panair do Brasil,e depois a Cruzeiro do Sul.
O primeiro avião da empresa foi entregue em 17 de julho de 1962.

A Cruzeiro do Sul, recebeu o seu modelo VI-R, matriculado PP-CJA em 10 de dezembro do mesmo ano.
O exemplar protótipo, estava convertido para 104 passageiros, com a evolução os novos modelos, receberam turbinas mais potentes, foram aumentados e chegaram até 140 lugares e podia atingir até 800 km.

No dia 8 de março de 1973, o último Caravelle, modelo 12, fez seu primeiro vôo de testes, encerrando assim a Sud Aviation 18 anos de fabricação.
Foi o grande sucesso da indústria aeroespacial francesa até então, mas com a chegada dos grandes jatos mais modernos o Caravelle foi perdendo espaço.
Hoje, ainda voam quatro colombianos e mais dois no Zaire. Presume-se, que doze aeronaves estão paradas em condições de vôos em vários países e alguns nos museus.
O mercado aéreo de passageiros é muito instável.
No caso do Caravelle com a capacidade em torno de 100 lugares foi desbancado pelos jatos maiores e o que se vê hoje no mundo é a volta desses jatos menores fazendo sucesso nas linhas curtas.

Foi nesse filão que entrou a nossa Embraer, em São José dos Campos/SP, construindo os seus Emb. 170 e 190 muito utilizados no mundo moderno, inclusive, aqui mesmo no Brasil com a Empresa Azul Linhas Aéreas e a sua co-irmã Jetblues que opera com sucesso nos Estados Unidos.


*Em maio de 1952,a BOAC(British Overseas Airways Corporation),tornou-se a primeira companhia aérea a incorporar motores à jato nos aviões COMET,os primeiros aviões comerciais, iniciando assim, a aviação como meio de transporte no mundo.
Em 1954,dois aviões COMET ,explodiram em pleno voo por problemas de fadiga estrutural.

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