Carta autógrafa de Santos Dumont, descrevendo o aeroplano Demoiselle, em 15/2/1920, escrita em sua casa de Petrópolis/RJ, que chamava de "A Encantada".ALBERTO SANTOS DUMONT
Um Gênio Brasileiro, o Pai da Aviação.
"Inventar é imaginar o que ninguém pensou; é acreditar no que ninguém jurou; é arriscar o que ninguém ousou; é realizar o que ninguém tentou. Inventar é transcender.”
(Santos Dumont)
Alberto Santos-Dumont foi o primeiro aeronauta que demonstrou a viabilidade do vôo mais pesado do que o ar. O seu vôo no “14-Bis” em Paris, em 23 de Outubro de 1906, na presença de inúmeras testemunhas, tornou-se um marco na história da aviação, embora que personagens de outros países reinvidiquem esse pioneirismo.
Entre eles estão os aeronautas Gabriel Voisin, Louis Blériot, Wilbur e Orville Wright, Trajan Vuia e Henry Farman.
Foi também o primeiro vôo verificado pelo Aeroclube da França. É considerado como um dos pioneiros da aviação por haver construído e pilotado o “14Bis”, a primeira aeronave que decolou com seus próprios meios do Campo de Bagatelle em Paris. O vôo percorreu 60 metros, a 2 e 3 metros de altura.
Em 1907, depois do grande sucesso do 14Bis, construiu em 15 dias, um monoplano que deram-lhe o nome de 'DEMOISELLE'.
Uma treliça de bambu com juntas metálicas constituía sua estrutura de 8 metros de comprimento.
Foi o primeiro aparelho com as formas tradicionais do avião de hoje. A série Demoiselle iniciou em 1907 com o no. 19 e foi sendo aperfeiçoado até o ano de 1909 com o no. 22. Este último modelo era equipado com um motor de 35 hp e alcançava 96 kph.
‘Um voo de poucos segundos com o fantástico Demoiselle de Santos Dumont’.
Vídeo postado por alfsantista-21/09/2006
http://www.youtube.com/watch?v=T243CHZDodw
Este pequeno avião, muito semelhante aos ultraleves de hoje, e por ele nunca haver patenteado, foi reproduzido pelo mundo afora e poderá ter alcançado 200 unidades para um universo de aviadores desde os heróis da primeira grande guerra.
Na Alemanha, o Focke-Wulf A16 para três tripulantes tinha uma estrutura semelhante ao Demoiselle.
'Balão Brasil'
De família abastada, o jovem Alberto foi mandado a estudar em Paris, lá sofreu a influência dos romances de Júlio Verne e passou a se interessar pela aerostação, construindo balões.
“Efetuou a primeira ascensão em 4 de julho de 1898 e declarou:
"A partir daí, os balões idealizados por Santos-Dumont passaram a ser numerados. O balão N.º1 tornou-se um marco na história da aerostação, porque foi impulsionado por um motor a gasolina.
De número em número, alternando-se sucessos e fracassos, a cada ascensão, Alberto Santos-Dumont colocava nos balões uma flâmula verde e amarela, a indicar que ali estava um brasileiro.”
(Lauret Godoy é autora do livro “O Jovem Santos Dumont” juntamente com Guca Domenico).
Uma grande vitória foi conseguida em 12 de julho de 1901, quando, partindo de um ponto conseguiu retornar ao mesmo local da partida.
Satisfeito com os resultados conseguidos na dirigibilidade dos balões, em 19 de outubro de 1901, apresentou-se para disputar o prêmio 'Deutsch de la Meurthe', cujo itinerário consistia na circunavegação da Torre Eiffel dentro do prazo de trinta minutos. Conseguiu realizar a façanha.
Por sua vez o Congresso Brasileiro aprovou a concessão de 100 contos de réis, em lei sancionada pelo Presidente da República, Campos Sales, que enviou a Santos-Dumont o seguinte telegrama:
"Tenho o prazer de informar-vos que, hoje, data memorável para o nosso País, assinei a lei votada pelo Congresso Federal vos concedendo, como prova de reconhecimento nacional, cem contos de réis, em memória do brilhante sucesso que alcançastes no vosso ensaio aeronáutico de 19 de outubro".
O Aéro Clube de Paris ofereceu-lhe um banquete no dia 5 de novembro de 1901.
“Um aspecto menos conhecido da biografia do aviador, além de sua ousadia, era sua excentricidade aliada a uma peculiar elegância - todos o conheciam por seu chapéu panamá, ternos com corte impecável e camisas de gola alta."
Ele era uma das figuras mais festejadas de Paris.
Muito rico Dumont despertava a atenção de todos. Era herdeiro de uma fortuna de meio milhão de dólares.”
Em 1905, Santos-Dumont deu início as suas experiências com “o mais pesado do que o ar – o aeroplano”.
No dia 19 de outubro de 1913 o Aéro Clube da França inaugurou em Saint-Cloud um monumento a Santos-Dumont, representando o lendário Ícaro numa estátua de bronze.
No Segundo Congresso Científico Pan-americano, proferiu, a 4 de janeiro de 1916, uma conferência intitulada -
Em 1918 o Governo Brasileiro doou a Santos-Dumont a casa em Cabangu onde nascera perto da estação de Palmira, em Minas Gerais.
- Primeira Guerra Mundial-
Aeroplanos começaram a ser usados na guerra e Santos Dumont amargurou-se ao ver sua invenção ser usada com finalidades bélicas.
Já sofrendo com a depressão, encontrou refúgio em Petrópolis, onde projetou e construiu seu chalé "A Encantada": uma casa com diversas criações próprias, como um chuveiro de água quente e uma escada onde só se pode pisar primeiro com o pé direito.
Permaneceu lá até 1922, quando visitou os amigos na França. Passou a se dividir entre Paris, São Paulo, Rio de Janeiro, Petrópolis e Fazenda Cabangu, MG.
Em 1922, condecorou Anésia Pinheiro Machado, que durante as comemorações do centenário da independência do Brasil, fizera o percurso Rio de Janeiro-São Paulo num avião.
Em janeiro de 1926, apelou à Liga das Nações para que se impedisse a utilização de aviões como armas de guerra. No mesmo ano, inventou um motor portátil para esquiadores, que facilitava a subida nas montanhas.
Internou-se no sanatório Valmont-sur-Territet, na Suíça.
Em 1931 a Academia Brasileira de Letras o elegera para ocupar a cadeira nº 38, vaga pelo falecimento do romancista Graça Aranha. Não chegou a tomar posse e, em seu lugar foi escolhido o escritor Celso Vieira.
Aos 59 anos de idade suicidou-se Santos-Dumont, em 23 de julho de 1932, em Guarujá, São Paulo.
"Criei um aparelho para unir a humanidade, não para destruí-la”.
Uma curiosidade é que a certidão de óbito do inventor ficou desaparecida por cerca de 23 anos. O motivo da morte foi omitido desde a ditadura de Getúlio Vargas, quando se criou a figura-mito do herói nacional.
Laudo necrológico pelo legista Roberto Catunda, nos arquivos policiais: Transcrição parcial: Guarujá - Alberto Santos Dumont - 23-julho-1932.
“Alberto Santos Dumont - Brasileiro, branco, solteiro, com 59 anos de idade, inventor. Ao que consta, foi encontrado morto em um dos apartamentos do hotel de la Plage, no Guarujá, onde residia.
(Do acervo do historiador Waldir Rueda)
A 31 de julho de 1932, a sua cidade natal, Palmira/MG teve mudado seu nome para Santos-Dumont.
Em 22 de setembro de 1959 foi concedido ao pioneiro da aviação o posto honorífico de Marechal-do-Ar.
Tornou-se o Patrono da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira, onde recebeu a patente de Marechal-do-Ar, sendo considerado até hoje, o brasileiro que mais se destacou na história da aviação mundial.
"Os pássaros devem experimentar a mesma sensação, quando distendem suas longas asas e seu vôo fecha o céu...
Alberto Santos Dumont
Arquivo de vídeos, sons e textos históricos e literários. Santos Dumont, o verdadeiro pioneiro da aviação - fvet66 -01.08.2006



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