terça-feira, 16 de agosto de 2011

FABRÍCIO PEDROZA

Fabrício-o vaqueiro
Homem que mereceu todo nosso respeito e admiração. 
Pela sua presença física, se fazia notar em qualquer lugar que chegasse; apesar de ter sido educado na Inglaterra, mantinha íntimos seus hábitos adquiridos na convivência com o ambiente rural, participando sempre das vaquejadas onde se destacava como grande “puxador”.
 Fazendeiro, empresário, praticante de tênis e das atividades aerodesportiva.

Culver Cadet


Pilotava todos os modelos de avião que o clube possuía, a sua preferência, no entanto, era pelo ‘Culver Cadet’, um modelo avançado para época e que no Brasil só existiam dois, um no Rio de Janeiro (Aeroclube do Brasil), e outro em Natal.

Mantinha uma pista de pouso muito bem cuidada na sua Fazenda São Joaquim, no município de São Romão (hoje Fernando Pedrosa) para onde voava nos finais de semana.

Lá no Aeroclube Fabrício era o meu ‘guru’.

Apesar de não ser instrutor, ensinou a muitos de nós os primeiros passos da navegação aérea. Fui um dos que se beneficiaram dos seus conhecimentos.

Terminei o curso no final de 1944 e durante o período entre o vôo solo e o exame para receber a licença, a nossa turma intensificava o treinamento, inclusive o de navegação, que seria exigido no exame final do curso. Com a colaboração de Fabrício, usávamos o campo de pouso da Fazenda São Joaquim.
Foi lá que fiz o meu primeiro vôo visual de navegação. Uma experiência inesquecível.


Na véspera estive na casa dele aqui em Natal, onde recebi todas as instruções para o nível que me encontrava. Abrimos o mapa do Rio Grande do Norte, traçamos uma reta entre Natal e a Fazenda São Joaquim.

 Usando um transferidor especial conferi o grau, anotei tudo na agenda, os pontos de referência de um lado e do outro da rota, inclusive, a altitude de segurança que deveria usar naquele vôo. 
Aprovado pelo “mestre”, tudo ficou esclarecido, ele sempre enfatizando as alternativas para um pouso em emergência.    

Na manhã seguinte, bem cedo, decolei de Parnamirim-Field, usando um Piper Cub, iniciando o vôo. Tudo aconteceu como o previsto, e cheguei ao destino onde Fabrício já me esperava. (Ele havia decolado antes, usando o avião Culver Cadet muito mais veloz do que o Piper).
Para mim aquele vôo foi à realização de um sonho, e que muito me ajudou na vida profissional enquanto fui aviador.

Nunca esqueci um fato que mostra uma característica da personalidade de Fabrício. As reuniões matinais no hangar que ele participava, eram sempre bem movimentadas e descontraídas, num ambiente de muita cordialidade. 

Estávamos lá nos preparando para mais um treinamento, quando veio em nossa direção um oficial da Força Aérea Americana,bastante afobado, tentando se expressar em nosso idioma.
 Fabrício adiantou-se para atendê-lo já sabendo do que se tratava.
 O cara reclamava falando mais com as mãos do que com palavras, tentando dizer que os nossos aviões estavam atrapalhando o intenso tráfego aéreo dos aviões americanos. Depois de um tempo, Fabrício com toda calma e gentileza, dirigiu-se ao gringo em voz baixa, num inglês britânico:

“You can speak in English, please”

Diante disso, o gringo desapontou-se, encerrou a conversa, entrou no jipe e arrancou cantando pneus.
Fabrício voltou-se para nós com um ar de riso e nos deu instruções para mudarmos de pista onde estávamos treinando.

Guardo daquele período da minha vida as melhores recordações, quando se praticava uma aviação romântica e das amizades de qualidade ali adquiridas, onde Fabrício Pedrosa tinha o seu lugar em destaque.

***

Um comentário:

  1. Caro Pery
    Fiquei feliz em encontrar o seu blog e sua homenagem ao meu pai. Gostaria muito de encontra-lo na próxima vez que eu for a Natal. Vamos nos manter em contato. Foi uma honra para mim.Um forte abraço
    Fabricio Pedroza. E-mail: arquiteto@fabriciopedroza.com.br
    site: www.fabriciopedroza.com.br

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